Contratar quem faça seu site na França : o que perguntar antes

Você vai receber propostas com números muito diferentes para coisas que parecem iguais. A diferença quase nunca está na técnica: está no que cada um inclui, em quem escreve o texto em francês, e no que acontece no dia em que você quiser sair.

Para Brasileiros com negócio na França Leitura 9 minutos Assunto Como comprar sem errar
Mesa de trabalho com caderno aberto, caneta e xícara de café ao lado da janela

1 O que você está comprando de verdade

Quase todo mundo acha que está comprando um site. Você está comprando três coisas separadas, e é útil saber qual delas está faltando na proposta que você recebeu.

A construção, que é o trabalho técnico e visual e acontece uma vez. O texto, que é o que faz você aparecer e o que convence quem chega, e é a parte mais cara de fazer bem, embora quase nunca apareça destacada no orçamento. E a manutenção, que é hospedagem, atualização e acompanhamento, e é mensal.

2 As perguntas que valem a conversa

São poucas, e as respostas separam muito rápido quem sabe do que está falando de quem está vendendo pacote.

Quem escreve o texto em francês

A pergunta mais importante e a menos feita. Se a resposta for que você fornece o conteúdo, entenda que o trabalho difícil ficou com você. Se for que eles escrevem, pergunte quem revisa e se essa pessoa é francesa. Não existe resposta errada aqui, existe resposta não dita, e o custo muda completamente conforme a resposta.

Quem responde quando algo quebra

Site sai do ar, formulário para de enviar, o Google reclama de alguma coisa. Pergunte em quanto tempo respondem, em que língua, e se está no contrato ou é boa vontade. Boa vontade acaba quando a agenda aperta.

O que acontece se eu quiser sair

O site é seu ou é alugado. O domínio está no seu nome ou no deles. Se você sair, leva os arquivos ou recomeça do zero. Essa é a pergunta que ninguém faz na hora boa e todo mundo faz na hora ruim, e a resposta deveria estar escrita antes de você pagar a primeira parcela.

O que isso não quer dizer

Que você precise contratar alguém. Se o seu negócio vive de clientes do bairro que já conhecem você, ou se está cheio e sem capacidade de atender mais, provavelmente não precisa. Nesse caso o dinheiro rende mais numa fachada melhor, num horário estendido ou numa pessoa a mais no horário de pico. Vale arrumar o que é gratuito antes de decidir gastar.

3 Faixas de preço, sem enrolação

Ninguém publica isso, o que obriga você a pedir três orçamentos só para descobrir a ordem de grandeza. As faixas abaixo são de mercado, na França, para um negócio pequeno.

Um site institucional simples, poucas páginas, feito por freelance ou agência pequena, costuma ficar na casa de um a três mil euros. Com trabalho de conteúdo e estrutura pensada para aparecer nas buscas, sobe para a faixa dos três a seis mil. Acompanhamento mensal, com hospedagem e ajustes, costuma variar entre algumas dezenas e algumas centenas de euros por mês, conforme o que está incluído.

O que faz o preço variar não é o tamanho do site: é a quantidade de texto original, se alguém escreve em francês por você, e se existe acompanhamento depois da entrega.

Detalhe de duas xícaras de café sobre mesa de madeira, uma cheia e uma vazia
A diferença entre dois orçamentos que parecem iguais quase sempre está no texto: quem escreve, em que língua, e quem revisa.

4 Os sinais de alerta

Alguns são clássicos e valem em qualquer país. Garantia de primeira posição no Google não existe e quem promete está mentindo ou não sabe. Contrato longo sem entrega definida é armadilha. Preço muito abaixo do mercado geralmente significa modelo pronto com texto traduzido automaticamente, o que resolve a aparência e não resolve nada além dela.

E um sinal específico da sua situação: desconfie de quem vende para brasileiro na França sem nunca perguntar quem é o seu cliente. Se ele for francês, o site precisa ser em francês, e quem não fizer essa pergunta na primeira conversa não entendeu o problema que você tem.

5 Brasileiro ou francês, quem contratar

Cada um resolve um problema diferente e nenhum resolve os dois sozinho.

Um prestador francês escreve francês nativo sem esforço e conhece o mercado por dentro. Custa mais, e você vai negociar contrato e explicar seu negócio numa língua que talvez ainda não domine, justamente na conversa em que entender mal sai caro. Um prestador brasileiro entende o seu contexto na primeira frase e a conversa é fácil, mas o francês do site depende de como ele resolve isso, e essa é exatamente a pergunta da seção dois.

6 O que você precisa entregar

Um site fracassa com mais frequência por falta de matéria-prima do que por falta de técnica. Ninguém pode escrever no seu lugar o que só você sabe.

Separe antes de começar: o que você vende exatamente e a quem, os preços ou faixas que aceita mostrar, as perguntas que seus clientes fazem sempre, o que te diferencia do concorrente da esquina, e fotos reais do seu trabalho ou do seu espaço. Com isso na mão, qualquer prestador competente entrega algo bom. Sem isso, o melhor prestador do mundo entrega um site bonito e vazio.

Sobre este site

Le Prisme é um estudo sobre o mercado francês, escrito por um casal brasileiro que está se mudando para Paris e trabalha com isso há mais de dez anos. As páginas em francês são o instrumento do estudo; estas duas em português existem porque brasileiro que mora e empreende na França também é mercado francês.

Se quiser saber quem escreve, a página de quem somos fica no site da agência, e ela conta a história inteira, inclusive a parte da mudança.


Para fazer esta semana

Antes de pedir qualquer orçamento, escreva num papel quem é o seu cliente e em que língua ele procura. Depois peça três propostas e compare só três coisas: quem escreve o texto em francês, o que está incluído no valor mensal, e a quem pertence o domínio. O resto é detalhe.

Comprar bem é saber o que perguntar

A diferença entre um site que traz cliente e um que só existe raramente está no preço. Está em quem escreveu o texto, na língua certa, e em alguém ter perguntado quem é o seu cliente antes de começar a desenhar qualquer coisa.