Como fazer seu negócio aparecer no Google na França

Se você tem um negócio na França, seu cliente é francês. Isso parece óbvio escrito assim, e mesmo assim é o erro mais comum de quem chega do Brasil: montar a presença digital em português, ou em inglês, para um público que procura em francês.

Para Brasileiros com negócio na França Leitura 9 minutos Assunto O que fazer por conta própria
Rua parisiense de manhã cedo, fachadas de comércios independentes e calçada vazia

1 Seu site precisa estar em francês

Não é uma questão de preferência nem de orgulho. É que a pessoa que vai comprar de você digita em francês, e o Google entrega em francês para quem pesquisa em francês. Um site em português é invisível para o seu mercado, por melhor que ele seja.

A exceção existe e é real: se o seu negócio atende quase só brasileiros: uma loja de produtos brasileiros, um serviço de tradução, uma consultoria para quem está chegando, aí o português faz sentido. Fora disso, ele atende ao seu conforto, não ao seu cliente.

2 O que muda em relação ao Brasil

Boa parte dos hábitos digitais que funcionam no Brasil não se traduzem. Três diferenças pegam quase todo mundo desprevenido.

O WhatsApp não é o canal

No Brasil, o negócio inteiro roda no WhatsApp. Na França, o cliente espera e-mail, telefone e formulário. Colocar só um número de WhatsApp como contato passa a impressão de informalidade, que é exatamente o oposto do que você quer transmitir para um cliente novo.

O Instagram não substitui o site

No Brasil é comum um negócio existir apenas no Instagram e funcionar bem assim. Na França isso pesa contra, principalmente se você vende para outras empresas. A ausência de site é lida como falta de estrutura, e o cliente francês verifica bastante antes de contratar alguém que não conhece.

As avaliações são menos numerosas e mais lidas

Francês avalia menos que brasileiro, e escreve textos mais longos quando avalia. Isso significa que cada avaliação pesa mais, tanto para quem lê quanto para o Google, e que pedir avaliação é menos automático do que você está acostumado. Vale pedir mesmo assim.

O que isso não quer dizer

Que você precise abandonar o português. Se parte da sua clientela é brasileira, mantenha o canal em português para ela. Só não deixe que ele seja a porta de entrada principal de um negócio que vive de cliente francês. São duas audiências diferentes, com pesos muito diferentes no seu faturamento, e cada uma merece seu próprio caminho.

3 A ficha do Google importa mais que o site

Se o seu negócio tem endereço físico, a ficha de estabelecimento traz mais cliente que o site inteiro nos primeiros meses. Ela aparece no mapa e nos resultados locais, que é onde quase toda busca de proximidade termina.

E ela é gratuita. Horário exato, incluindo feriados e fechamento anual, fotos reais do lugar, categoria correta, e resposta às avaliações. É o trabalho de melhor retorno por esforço que existe, e não depende de você dominar francês: horário é número, foto é foto, e resposta curta em francês correto você consegue escrever com ajuda.

Detalhe de uma porta de comércio com maçaneta de latão e caixa de correio
Quem procura um comércio de proximidade termina no mapa, não no site. A ficha de estabelecimento é o primeiro trabalho, não o último.

4 A lei francesa exige coisas no seu site

Essa é a parte que quase ninguém avisa. Um site profissional na França precisa publicar informações legais obrigatórias: identificação da empresa, número de registro, forma jurídica, dados do responsável pela publicação e identificação de quem hospeda o site.

Se você coleta qualquer dado de visitante, ainda que um formulário de contato, entra também a política de privacidade e a base legal do tratamento. Não é burocracia decorativa: é fiscalizado, e a ausência dessas páginas é o tipo de detalhe que um cliente atento nota e interpreta como amadorismo.

5 Descobrir o que os franceses digitam

O erro seguinte é traduzir do português o que você acha que as pessoas procuram. O vocabulário comercial francês raramente é a tradução literal do brasileiro, e uma palavra errada custa toda a visibilidade.

O caminho mais barato é olhar como os concorrentes franceses do seu bairro se descrevem, quais palavras aparecem no autocompletar do Google quando você começa a digitar o serviço, e o que as pessoas escrevem nas avaliações dos seus concorrentes. Essas três fontes são gratuitas e dizem mais que qualquer suposição.

6 O que dá para fazer sozinho, e o que não dá

Dá para fazer sozinho, e vale a pena: a ficha de estabelecimento inteira, pedir avaliações, manter horários corretos, escrever as páginas legais obrigatórias, e organizar as informações práticas que seu cliente procura. Isso já é a maior parte do resultado para um comércio local.

Não dá para improvisar em duas coisas. O texto em francês comercial, porque um francês percebe em uma frase que foi escrito por estrangeiro e isso pesa contra você exatamente no momento da decisão. E a parte técnica do site, se ele carrega devagar ou não funciona bem no celular, que é onde a maior parte das buscas locais acontece.

Quando vale contratar alguém

Se depois de fazer o que está acima você continuar sem aparecer, ou se o seu negócio depende de trazer clientes novos em vez de atender os que já conhecem, aí a conversa muda de assunto.

Escrevemos uma página separada sobre isso, com faixas de preço reais e as perguntas que vale fazer antes de fechar com qualquer um: o que perguntar antes de contratar.


Para fazer esta semana

Abra a ficha do seu negócio no Google e confira três coisas: se o horário está certo incluindo feriados, se a categoria descreve mesmo o que você faz, e se existe alguma foto real do lugar. Depois procure o seu serviço em francês, como um cliente procuraria, e veja em que posição você aparece. Vinte minutos, e você vai saber exatamente onde está.

Comece pelo que não custa nada

A maior parte do que trava um negócio brasileiro na França não é falta de investimento, é o site estar na língua errada e a ficha do Google estar abandonada. As duas coisas se resolvem sem contratar ninguém, e é honesto dizer isso antes de qualquer outra conversa.