1 Seu site precisa estar em francês
Não é uma questão de preferência nem de orgulho. É que a pessoa que vai comprar de você digita em francês, e o Google entrega em francês para quem pesquisa em francês. Um site em português é invisível para o seu mercado, por melhor que ele seja.
A exceção existe e é real: se o seu negócio atende quase só brasileiros: uma loja de produtos brasileiros, um serviço de tradução, uma consultoria para quem está chegando, aí o português faz sentido. Fora disso, ele atende ao seu conforto, não ao seu cliente.
2 O que muda em relação ao Brasil
Boa parte dos hábitos digitais que funcionam no Brasil não se traduzem. Três diferenças pegam quase todo mundo desprevenido.
O WhatsApp não é o canal
No Brasil, o negócio inteiro roda no WhatsApp. Na França, o cliente espera e-mail, telefone e formulário. Colocar só um número de WhatsApp como contato passa a impressão de informalidade, que é exatamente o oposto do que você quer transmitir para um cliente novo.
O Instagram não substitui o site
No Brasil é comum um negócio existir apenas no Instagram e funcionar bem assim. Na França isso pesa contra, principalmente se você vende para outras empresas. A ausência de site é lida como falta de estrutura, e o cliente francês verifica bastante antes de contratar alguém que não conhece.
As avaliações são menos numerosas e mais lidas
Francês avalia menos que brasileiro, e escreve textos mais longos quando avalia. Isso significa que cada avaliação pesa mais, tanto para quem lê quanto para o Google, e que pedir avaliação é menos automático do que você está acostumado. Vale pedir mesmo assim.
Que você precise abandonar o português. Se parte da sua clientela é brasileira, mantenha o canal em português para ela. Só não deixe que ele seja a porta de entrada principal de um negócio que vive de cliente francês. São duas audiências diferentes, com pesos muito diferentes no seu faturamento, e cada uma merece seu próprio caminho.
3 A ficha do Google importa mais que o site
Se o seu negócio tem endereço físico, a ficha de estabelecimento traz mais cliente que o site inteiro nos primeiros meses. Ela aparece no mapa e nos resultados locais, que é onde quase toda busca de proximidade termina.
E ela é gratuita. Horário exato, incluindo feriados e fechamento anual, fotos reais do lugar, categoria correta, e resposta às avaliações. É o trabalho de melhor retorno por esforço que existe, e não depende de você dominar francês: horário é número, foto é foto, e resposta curta em francês correto você consegue escrever com ajuda.
4 A lei francesa exige coisas no seu site
Essa é a parte que quase ninguém avisa. Um site profissional na França precisa publicar informações legais obrigatórias: identificação da empresa, número de registro, forma jurídica, dados do responsável pela publicação e identificação de quem hospeda o site.
Se você coleta qualquer dado de visitante, ainda que um formulário de contato, entra também a política de privacidade e a base legal do tratamento. Não é burocracia decorativa: é fiscalizado, e a ausência dessas páginas é o tipo de detalhe que um cliente atento nota e interpreta como amadorismo.
5 Descobrir o que os franceses digitam
O erro seguinte é traduzir do português o que você acha que as pessoas procuram. O vocabulário comercial francês raramente é a tradução literal do brasileiro, e uma palavra errada custa toda a visibilidade.
O caminho mais barato é olhar como os concorrentes franceses do seu bairro se descrevem, quais palavras aparecem no autocompletar do Google quando você começa a digitar o serviço, e o que as pessoas escrevem nas avaliações dos seus concorrentes. Essas três fontes são gratuitas e dizem mais que qualquer suposição.
6 O que dá para fazer sozinho, e o que não dá
Dá para fazer sozinho, e vale a pena: a ficha de estabelecimento inteira, pedir avaliações, manter horários corretos, escrever as páginas legais obrigatórias, e organizar as informações práticas que seu cliente procura. Isso já é a maior parte do resultado para um comércio local.
Não dá para improvisar em duas coisas. O texto em francês comercial, porque um francês percebe em uma frase que foi escrito por estrangeiro e isso pesa contra você exatamente no momento da decisão. E a parte técnica do site, se ele carrega devagar ou não funciona bem no celular, que é onde a maior parte das buscas locais acontece.
Quando vale contratar alguém
Se depois de fazer o que está acima você continuar sem aparecer, ou se o seu negócio depende de trazer clientes novos em vez de atender os que já conhecem, aí a conversa muda de assunto.
Escrevemos uma página separada sobre isso, com faixas de preço reais e as perguntas que vale fazer antes de fechar com qualquer um: o que perguntar antes de contratar.
Para fazer esta semana
Abra a ficha do seu negócio no Google e confira três coisas: se o horário está certo incluindo feriados, se a categoria descreve mesmo o que você faz, e se existe alguma foto real do lugar. Depois procure o seu serviço em francês, como um cliente procuraria, e veja em que posição você aparece. Vinte minutos, e você vai saber exatamente onde está.